May 2023

Como aplicar os conceitos de Comércio Livre e de Protecionismo, para o benefício de todos?

O comércio livre e vantajoso para países industrialmente e tecnologicamente desenvolvidos, sendo adequado para intercâmbios entre nações ricas. Contudo, este tipo de acordo comercial e contraproducente para os países mais pobres, pois as suas indústrias nascentes nunca terão oportunidades de crescer e de desenvolver quando colocadas em competição com os produtos das nações mais desenvolvidas.

            Assim, o livro Despertar para uma Nova Economia recomenda que os Países mais pobres devem proteger as suas indústrias nascentes, para que estas possam ter tempo para serem mais produtivas e tecnologicamente evoluídas. Historicamente a esmagadora maioria das nações desenvolvidas praticaram o protecionismo nas suas indústrias, como por exemplo o uso de tarifas elevadas a produtos estrangeiros, incluindo o Reino Unido e os Estados Unidos. 

            Um conjunto de políticas são assim recomendadas:

            – O comércio livre entre países industrialmente avançados e de benefício mútuo e deve ser encorajado

            – Os países que estão a tentar aumentar a sua capacidade industrial terão de proteger as suas indústrias nascentes, impondo tarifas e outras restrições a importação;

            – Os países em desenvolvimento precisam de considerar cuidadosamente o impacto do comercio livre na sua indústria local antes de assinar qualquer acordo;

            – Os países que assinaram um acordo que os impede de desenvolver a sua base industrial, deixando os presos a atividades de baixo retorno, tem de considerar todas as opções disponíveis para renegociar estes acordos;

            – Uma vez que as indústrias se tenham desenvolvido o suficiente para poder competir, elas podem gradualmente ser expostas ao comercio através de blocos comerciais locais que podem expandir se geograficamente ao longo do tempo;

            – As nações em desenvolvimento devem exportar produtos acabados e semiacabados em vez de matérias-primas;

            – As matérias-primas só devem ser exportadas se o País tiver uma oferta tão vasta que não possa utilizar todas elas produtivamente no mercado interno ou transformá-los em produtos para exportação.

Shanti AgostinhoComo aplicar os conceitos de Comércio Livre e de Protecionismo, para o benefício de todos?
read more

Como tornar ricas as regiões e nações pobres? (parte 2)

Continuando a dar respostas a esta pergunta, citamos o livro Despertar para uma Nova Economia:

            “Para prosperar, um país precisa de se concentrar nas áreas de produção que produzem os mais altos retornos crescentes. Quando uma atividade tem retornos crescentes, quanto mais produz, maior é a produtividade. A produção industrial enquadra se nesta categoria. Uma fábrica torna-se tanto mais eficiente quando mais unidades produz. Desta forma, a tecnologia e outros fatores são combinados para aumentar a criação de riqueza.

            A agricultura, por outro lado, tem retornos cada vez menores – a terra mais fértil é utilizada primeiro. Se pretendem expandir a produção, terão de ser utilizadas terras menos férteis. Portanto, quanto mais cresce a produção menos eficiente ela se torna.

            O governo deve apoiar e promover o desenvolvimento da indústria nacional, investigação para a sustentabilidade, energias alternativas, negócios de alta tecnologia, e elaborar uma estratégia de longo prazo para o desenvolvimento da nação.

            O governo tem um lugar central na economia, e uma das suas principais funções deve ser a criação de uma estratégia industrial nacional a longo prazo. Criar uma visão de futuro para o desenvolvimento de um pais e uma tarefa que não deve ser deixada apenas as forças do mercado livre, já que o principal interesse de cada qualquer empresa será sempre de maximizar a riqueza dos seus acionistas a curto-prazo. Os interesses empresariais são demasiado limitados para ajudar a formular as estratégias económicas de longo-prazo de uma nação. Nenhuma nação sem o envolvimento do governo a longo-prazo conseguiu desenvolver uma economia industrial sofisticada. De fato, a história ensinou-nos que o envolvimento do governo e a melhor forma de uma nação superar a pobreza.

            Políticas para o Desenvolvimento

            1. Desenvolver áreas de retorno crescente;

            2. Emular as conquistas tecnológicas de outros países

            3. Deixar o governo subsidiar o desenvolvimento e a adaptação dessas tecnologias; 

            4. Se o pais tem matéria-prima e produção agrícola, e essencial complementa-las com uma base industrial, mesmo que não seja competitiva internacionalmente;

            5. Basear as industrias em matérias-primas e recursos disponíveis localmente  e desenvolver novas tecnologias ambientais.”

Shanti AgostinhoComo tornar ricas as regiões e nações pobres? (parte 2)
read more

Como tornar ricas as regiões e nações pobres?

A analise histórica do desenvolvimento industrial e por consequência económica das nações demonstra a necessidade do envolvimento do Estado para que tal possa acontecer.

            No capitulo 6 do livro “Despertar para uma Nova Economia” os autores apresentam o seguinte texto:

            Para que uma economia seja bem sucedida, o Estado precisa de ter um papel fundamental de investimento no desenvolvimento industrial, na proteção de industrias incipientes, no desenvolvimento do comercio e no fornecimento da infraestrutura e dos serviços essenciais exigidos pela sociedade. Atualmente, existe uma tendência  para condenar qualquer tipo de envolvimento governamental na economia. No entanto, todas as economias de sucesso tiveram, e continuam a ter, um envolvimento muito forte do governo, ao subsidiar, direta ou indiretamente, as empresas e orientar a economia.

            Nos Estados Unidos, isto foi conseguido através do sistema de aquisição militar do Pentágono e, nos países escandinavos através de empresas publicas e de um Estado Social muito forte. No Japão, isso foi conseguido através do poderoso Ministério do Comercio Internacional e Industria, que estava diretamente envolvido na elaboração dos planos económicos para o pais. Na Coreia do Sul, Taiwan e Singapura, o Estado teve um papel proeminente na proteção da industria local, subsidiando-a sempre que necessário, planeando a economia e até participando diretamente em empreendimentos económicos. Todos estes países são aclamados como prova do sucesso do sistema de mercado livre. Mas, na realidade, eles foram notáveis exceções a esse sistema e e por isso que foram bem sucedidos. O mais recente milagre económico, a China, opera abertamente como uma empresa gerida pelo Estado.

            Seguem se outros exemplos no texto do livro, terminando com uma série de recomendações de politicas a seguir:

            1. O governo deve assumir uma liderança forte na promocao da economia.

            2. O governo não deve assumir toda a economia e fazer uma micro gestão da economia a partir de cima, como aconteceu nos antigos países comunistas.

            3. O governo deve criar objetivos políticos a longo prazo.

            4. O governo deve assumir o controlo das principais industrias e serviço públicos e usar a sua influencia para promover o sucesso das empresas privadas e cooperativas.

            5. O governo não deve estar em concorrência com empresas privadas e cooperativas mas, sim, agir como uma forca capacitadora para garantir que elas possam atingir o seu máximo potencial.

            6. Os governos deveriam imitar  o papel que tem sido desempenhado pelos governos em histórias de sucesso como a Escandinávia, Japão, Coreia e Singapura.

            7. Os governos devem desenvolver uma estrutura industrial e de negócios sustentável que priorize a agricultura biológica, uma economia descentralizada e energias alternativas e que utilize matérias primas locais de forma ambientalmente correta.

Para saber mais informação sobre a necessidade de intervenção do estado para o desenvolvimento industrial ver: http://hussonet.free.fr/changwhy.pdf

Se quiser adquirir o livro: “Despertar para uma Nova Economia”, pode encomendar aqui mesmo no site, através da nossa loja.

Shanti AgostinhoComo tornar ricas as regiões e nações pobres?
read more

Políticas para o Desenvolvimento

Como tornar Ricos os Países Pobres: A Economia do Comercio Livre ao Comércio Justo

Historicamente os países desenvolveram se, através de processos de industrialização, com o apoio do Estado protegendo as suas jovens indústrias. Reino Unido (séc. XIX,) Estados Unidos da América até meados séc. XX protegeram as suas indústrias com tarifas de importação relativamente elevadas, ou com outros métodos. Depois promoveram as teorias de comércio livre sem intervenção do estado, para ganhar mercados para os seus produtos, impedindo de fato que outras regiões ou nações pudessem desenvolver industrialmente também.

O livro Despertar para uma Nova Economia (editado em português pelo PRIP) sugere um conjunto de acções para ativar o processo de desenvolvimento de cada território:

1. Primeiro, o governo deve participar ativamente na economia. Pois nenhum país se desenvolveu economicamente sem um sector estatal forte para apoiar o sector privado.

2. Cada país tem que desenvolver a sua indústria e a sua tecnologia.

3. As políticas comerciais devem proporcionar um comércio justo para todos os intervenientes. Os atuais acordos de comércio livre beneficiam de forma desigual as partes que vão já mais a frente, impedindo o desenvolvimento dos mais pobres.

4. As leis das patentes devem ser reformuladas para maximizar os benéficos para a humanidade e não ser um instrumento de privilégio para alguns.

5. A vantagem de iniciar um processo de industrialização mais será de não cometer os mesmos erros dos outros, com custos ambientais elevados que a natureza e as populações locais costumam pagar.

Para uma análise mais profunda ver:

https://analepsis.files.wordpress.com/2011/08/ha-joon-chang-bad-samaritans.pdf

Se quiser adquirir o livro: “Despertar para uma Nova Economia”, pode encomendar aqui na nossa loja online.

(ilustração: sarar.pela.arte)

­

Shanti AgostinhoPolíticas para o Desenvolvimento
read more