Não é com pós prilimpimpim que mudamos sistemas!

Como sabemos que temos uma crise sistémica? E como construímos o próximo sistema?

Este vídeo de Gar Alperovitz, historiador e economista político, tenta responder a estas questões:
https://www.youtube.com/watch?v=QT83nyB2Gaw&list=PLQ4lLGWj85FgD49LwvlxN3Sjy_MbLepg8

Em resposta à primeira pergunta, Gar afirma que sabemos que estamos perante um problema dessa natureza quando o sistema apresenta indicadores de decadência, com os modelos e as estratégias utilizadas no passado a já não inverterem o sentido de declínio.

Para o autor, o sistema capitalista está em decadência há muitos anos, mas ainda não entrou em colapso porque o dinheiro do governo está permanentemente a ser injetado na economia. A crise não é política, as reformas já não resultam, é sistémica, por isso há que mudar o sistema.
Quais os indicadores que revelam a estagnação e o declínio do sistema capitalista?
Roar Bjonnes, no seu livro Growing a New Economy, fala das diferentes crises inerentes ao sistema actual:  a crise da desigualdade da distribuição da riqueza, a crise financeira (nunca se criou tanto dinheiro e tanta dívida), a ambiental e a crise de recursos que ameaçam a extinção da civilização humana ou mesmo da espécie. Um conjunto de indicadores nestes campos revelam que as soluções propostas pelo sistema actual já não conseguem resolver…

Como acontecem os processos de transformação de sistemas?
Esse processos levam décadas. Quando os políticos deixam de ter capacidade de resolver os problemas, porque seguem teorias e modus operandi desajustados, surge uma polarização na sociedade (que pode gerar violência), e o sentimento colectivo de que algo está errado no sistema começa a ser sentido de forma premente.

Este é o primeiro passo para o início de um movimento de mudança social e económico. Aqui, começa a existir a sensação que não está além da capacidade humana pensar e desenhar um sistema diferente. Há que ganhar consciência da mudança, estudar, pensar, descrever a situação social vivida com uma narrativa diferente da anterior. Tudo isto gera um debate entre intelectuais e activistas.

Este debate aos poucos vai dando origem a um puzzle mental sobre como será o próximo sistema, por exemplo:
a) Alguns estarão focados no problema da concentração excessiva da riqueza, e começam a explorar a ideia de deixar de haver uma separação entre proprietários e trabalhadores, tornando-se os trabalhadores proprietários do seu local de trabalho, criando um sistema de democracia económica, onde a riqueza criada é gerida coletivamente. Outra solução seria taxar os super ricos, etc.

b) Outros seguirão o caminho de valores e de uma cultura ambiental, criando modelos e soluções mais harmoniosas com a natureza e os seus recursos.
c) As ideias de socialismo serão também exploradas, como a proposta de nacionalização de empresas estratégicas, pois é difícil controlar as corporações com legislação e as empresas capitalistas privilegiam a maximização dos lucros (a questão não é ter lucro, é sim maximizar) em detrimento de outros aspectos, com consequências ambientais e sociais devastadoras. Reduzir o sector privado torna-se importante.

d) Esta pesquisa passará também pelo aspecto cultural. Como nos relacionamos com os outros, como criamos comunidades fortes? Que estruturas económicas podem sustentar estas comunidades?
Como foi dito, todas as mudanças sistémicas requerem tempo: Criação de novas ideias e de nova cultura, realização de experiências a partir destas e o aparecimento de um movimento social exigindo a substituição do sistema vigente.
Para Gar Alperovitz, os heróis do movimento dos direitos cívicos nos EUA (muito visível nos anos 60) são os pensadores e ativistas dos anos 20 e 30, que criaram as condições para as mudanças sistémicas nos estados do sul do país, onde o sistema regulado por leis de segregação racial parecia indestrutível. Este exemplo ilustra o longo tempo necessário para ocorrerem mudanças sistémicas.
Como podemos evoluir, e transcender esta crise sistémica do capitalismo? Estes períodos de instabilidade e violência? Como podemos fazê-lo sem recorrer a uma revolução violenta contra as estruturas/instituições do sistema.
Reconstrução Evolucionária – Disseminação de projectos experimentais enquadrados no novo sistema, como as instituições da democracia económica, com um poder local forte, capazes de mudar a estrutura económica. Havendo depois a necessidade de estes projectos experimentais se tornarem na nova matriz sistémica, ganhando escala, com o foco a nível regional.
E finalmente não é suficiente as ideias novas, as mudanças de narrativa, os novos modelos teóricos e as suas experiências, pois nada disto acontecerá se nós, os indivíduos, não assumirmos que o problema de mudança de sistema também é nosso, algo pessoal: Eu assumo responsabilidade em ser parte da solução.
Inspiração para pensamento e ação transformadores…

Francisco Dinis

Maheshvara PachecoNão é com pós prilimpimpim que mudamos sistemas!

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