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Democracia Económica – Economia para todos….

É espantoso como nos mobilizamos facilmente enquanto sociedade quando sentimos que o sistema político democrático está em perigo. mas muitas vezes assistimos passivos à ditadura ou nepotismo no local de trabalho.

Qual a relação entre sistema político e a economia? O que é a democracia política? E a Económica?

Por de trás de qualquer sociedade existe uma ideologia (conjunto de ideias) dominante que racionaliza as questões inerentes à vida colectiva, servindo de base para os seus valores, ao longo dos séculos. Das ideologias e dos valores surgem as leis que regulam as diferentes interacções entre indivíduos e instituições. Aqui entramos na esfera da política, que interpreta a ideologia e os valores dominantes, para estruturar a sociedade e alcançar objetivos.

Apesar da experiência histórica de Atenas, onde se desenvolveu, ainda que limitado a alguns, um sistema democrático, a maioria destes sistemas políticos foram desenvolvidos nos séculos XIX e XX. Democracia significa que o poder de decisão está nas mãos das pessoas, ou melhor nos cidadãos. Muitos sistemas democráticos surgiram em resposta ao nepotismo político da aristocracia e das instituições religiosas protegidas pelo Estado. No entanto, mesmo nessa altura, a categoria de cidadãos não era estendida a todos os seres humanos, como por exemplo nas sociedades esclavagistas, onde os escravos não tinham qualquer tipo de poder político ou económico. Deste modo, só os proprietários (geralmente homens) poderiam escolher os representantes.

Ao longo do tempo, devido ao activismo social e a pressões históricas (como a I Guerra Mundial), o direito de voto foi alargado aos trabalhadores e ao mundo feminino. Apesar de na teoria ser um sistema pensado para retirar poder político a uma pessoa ou a um grupo limitado, e reflectir o desejo de todos, na prática nos nosso dias quem tem mais poder económico acaba por influenciar todo o sistema. E é aqui que reside o calcanhar de Aquiles da democracia como direito universal; se uma sociedade não é educada, com conhecimentos validados pela ciẽncia e valores humanistas, ou melhor neo humanistas, como poderá fazer escolhas sensatas? Nestas condições a maioria do eleitorado não tem uma abordagem racional em relação aos assuntos a decidir e é facilmente manipulado para premiar com o poder alguns partidos ou pessoas que não estão interessadas no bem coletivo, mas de pequenos interesses de grupos. Estes são os dilemas que nos apresentam a ascensão ao poder do partido nazi na Alemanha e os partidos políticos populistas de hoje em dia, que sabem usar argumentos emocionais, demagógicos e com recurso à não verdade para atingir os seus objectivos de poder.

Ver video sobre a estrutura da Democracia em Atenas.

e ao longo da história

Na esfera económica o sistema capitalista evoluiu e, com os avanços técnicos da revolução industrial, foi possível criar mais bens e aumentar a riqueza das sociedades. No entanto, este desenvolvimento económico foi liderado pelos detentores de capital, guiados pela  directiva da maximização dos lucros num espaço curto de tempo e consequente acumulação de capital nas suas mãos, criando desigualdade na distribuição da riqueza. Aos poucos, os políticos e a política deixaram de ser influenciados pelos aristocratas, para serem pelos industriais e outros agentes de negócios. Com o passar do tempo todos os elementos da sociedade são “obrigados” a vender o seu trabalho para sobreviver, subordinados aos interesses dos que têm poder de empregar. São estes que acabam por tomar as decisões económicas; o que produzir, que quantidades, quem faz o trabalho, quando investir, etc. Tendem a influenciar as decisões políticas, para benefício da sua classe em geral ou mesmo de grupos muito pequenos, para perpetuar o seu poder económico, usando o Estado e a Lei para os seus interesses, à custa do resto da sociedade.

A separação entre poder político e económico deve ser uma realidade, os decisores públicos devem ser eleitos com base nos seus méritos pessoais, conhecimento e carácter.

Deixo aqui um video de Noam Chomsky sobre Democracia e Capitalismo, compatibilidades e incompatibilidades… 

Este centralismo do poder das decisões económicas nas empresas privadas, com as suas consequências negativas na economia, na política e na sociedade em geral, impulsionou desde sempre movimentos populares com outras soluções para a produção de bens e de riqueza e a sua distribuição. Um dos conceitos a explorar é o de Democracia Económica, onde a relação de poder na esfera económica é estruturalmente alterada. Quem trabalha passa também a ter voz nas decisões, ao ser também proprietário. Uma pessoa, um voto é máxima deste tipo de empresas, independentemente do capital investido. Assim o conceito de democracia, onde todos podem emitir opinião sobre os assuntos a decidir, é aplicado na esfera económica. O sentimento de pertença e comunidade de todos é aumentado, a corresponsabilização pelo sucesso económico está na mente de todos, preocupações ambientais e da comunidade são consideradas.

Muitos mitos, receios, pressupostos e ideias não questionadas, impedem-nos de visualizar, pensar e materializar este conceito a uma escala maior. Pensamento estruturado e projectos implementados em torno da ideia de Democracia na esfera económica, são desde já ferramentas disponíveis para essa mudança. Com o desgaste do sistema Capitalista, com as crises económicas cíclicas que trazem pobreza e desemprego, com o recurso ao dinheiro do Estado (proveniente de impostos e de dívida pública) para manter o status quo económico das grandes empresas e bancos, um sentimento descontentamento leva a que a maioria das pessoas possam estar abertas a mudanças.

Estratégias e politicas para as mudanças necessárias já estão pensadas e testadas em escalas pequenas, ver link

Vídeo “We the Owners”,  com alguns exemplos práticos da aplicação do conceito de Democracia Económica

Outro vídeo foca os benefícios, a nível pessoal, de trabalhar em espaços económicos democráticos

Um novo contrato social é necessário, alargando os direitos dos cidadãos para que tenham uma economia saudável e democrática. Se esta for a força mobilizadora da sociedade e das políticas, um conjunto de recursos e know-how podem ser mobilizados para estes objectivos. A separação entre poder político e económico,  passando o controlo das economias para as comunidades a nível local, de forma a que um planeamento racional pode garantir o desenvolvimento económico pensado para beneficiar a todos os habitantes de cada região.

Francisco Dinis

Maheshvara PachecoDemocracia Económica – Economia para todos….
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Não é com pós prilimpimpim que mudamos sistemas!

Como sabemos que temos uma crise sistémica? E como construímos o próximo sistema?

Este vídeo de Gar Alperovitz, historiador e economista político, tenta responder a estas questões:
https://www.youtube.com/watch?v=QT83nyB2Gaw&list=PLQ4lLGWj85FgD49LwvlxN3Sjy_MbLepg8

Em resposta à primeira pergunta, Gar afirma que sabemos que estamos perante um problema dessa natureza quando o sistema apresenta indicadores de decadência, com os modelos e as estratégias utilizadas no passado a já não inverterem o sentido de declínio.

Para o autor, o sistema capitalista está em decadência há muitos anos, mas ainda não entrou em colapso porque o dinheiro do governo está permanentemente a ser injetado na economia. A crise não é política, as reformas já não resultam, é sistémica, por isso há que mudar o sistema.
Quais os indicadores que revelam a estagnação e o declínio do sistema capitalista?
Roar Bjonnes, no seu livro Growing a New Economy, fala das diferentes crises inerentes ao sistema actual:  a crise da desigualdade da distribuição da riqueza, a crise financeira (nunca se criou tanto dinheiro e tanta dívida), a ambiental e a crise de recursos que ameaçam a extinção da civilização humana ou mesmo da espécie. Um conjunto de indicadores nestes campos revelam que as soluções propostas pelo sistema actual já não conseguem resolver…

Como acontecem os processos de transformação de sistemas?
Esse processos levam décadas. Quando os políticos deixam de ter capacidade de resolver os problemas, porque seguem teorias e modus operandi desajustados, surge uma polarização na sociedade (que pode gerar violência), e o sentimento colectivo de que algo está errado no sistema começa a ser sentido de forma premente.

Este é o primeiro passo para o início de um movimento de mudança social e económico. Aqui, começa a existir a sensação que não está além da capacidade humana pensar e desenhar um sistema diferente. Há que ganhar consciência da mudança, estudar, pensar, descrever a situação social vivida com uma narrativa diferente da anterior. Tudo isto gera um debate entre intelectuais e activistas.

Este debate aos poucos vai dando origem a um puzzle mental sobre como será o próximo sistema, por exemplo:
a) Alguns estarão focados no problema da concentração excessiva da riqueza, e começam a explorar a ideia de deixar de haver uma separação entre proprietários e trabalhadores, tornando-se os trabalhadores proprietários do seu local de trabalho, criando um sistema de democracia económica, onde a riqueza criada é gerida coletivamente. Outra solução seria taxar os super ricos, etc.

b) Outros seguirão o caminho de valores e de uma cultura ambiental, criando modelos e soluções mais harmoniosas com a natureza e os seus recursos.
c) As ideias de socialismo serão também exploradas, como a proposta de nacionalização de empresas estratégicas, pois é difícil controlar as corporações com legislação e as empresas capitalistas privilegiam a maximização dos lucros (a questão não é ter lucro, é sim maximizar) em detrimento de outros aspectos, com consequências ambientais e sociais devastadoras. Reduzir o sector privado torna-se importante.

d) Esta pesquisa passará também pelo aspecto cultural. Como nos relacionamos com os outros, como criamos comunidades fortes? Que estruturas económicas podem sustentar estas comunidades?
Como foi dito, todas as mudanças sistémicas requerem tempo: Criação de novas ideias e de nova cultura, realização de experiências a partir destas e o aparecimento de um movimento social exigindo a substituição do sistema vigente.
Para Gar Alperovitz, os heróis do movimento dos direitos cívicos nos EUA (muito visível nos anos 60) são os pensadores e ativistas dos anos 20 e 30, que criaram as condições para as mudanças sistémicas nos estados do sul do país, onde o sistema regulado por leis de segregação racial parecia indestrutível. Este exemplo ilustra o longo tempo necessário para ocorrerem mudanças sistémicas.
Como podemos evoluir, e transcender esta crise sistémica do capitalismo? Estes períodos de instabilidade e violência? Como podemos fazê-lo sem recorrer a uma revolução violenta contra as estruturas/instituições do sistema.
Reconstrução Evolucionária – Disseminação de projectos experimentais enquadrados no novo sistema, como as instituições da democracia económica, com um poder local forte, capazes de mudar a estrutura económica. Havendo depois a necessidade de estes projectos experimentais se tornarem na nova matriz sistémica, ganhando escala, com o foco a nível regional.
E finalmente não é suficiente as ideias novas, as mudanças de narrativa, os novos modelos teóricos e as suas experiências, pois nada disto acontecerá se nós, os indivíduos, não assumirmos que o problema de mudança de sistema também é nosso, algo pessoal: Eu assumo responsabilidade em ser parte da solução.
Inspiração para pensamento e ação transformadores…

Francisco Dinis

Maheshvara PachecoNão é com pós prilimpimpim que mudamos sistemas!
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Vamos parar o jogo da especulação financeira?

Envio o link do podcast com o economista Ricardo Paes Mamede, sobre as causas e as consequências da crise de 1929, nas esferas económicas, políticas e sociais, comparando com a situação actual.

https://www.esquerda.net/audio/grande-depressao-de-1929
Nada como observar e estudar factos do passado e tentar compreendê-los, para ajudar a tomar decisões racionais (racionalidade no contexto neo humanista) para os desafios actuais.

O que se aprendeu  do ponto vista económico com a crise de 1929?
A necessidade de controlar o sistema financeiro, porque se não o dinheiro servirá para especulação financeira. Assim, as pessoas compram coisas na esperança de as vender por um preço mais alto e ficar com os lucros, sem adicionar valor à economia real. Como é exemplo o sector imobiliário, onde o preço das casas sobem porque há “investidores”, tornando-se um bem não acessível à maioria das famílias (exemplo centro histórico das grandes cidades portuguesas).

Como no Imobiliário, o dinheiro é usado para todo tipo de especulação, ações na bolsa de valores, compra de dívida soberana, mercado de futuros de mercadorias, etc, A história acaba sempre da mesma forma, as bolhas rebentam e os chamados “activos desvalorizam”…Quem adquiriu em último lugar esse bem, perde dinheiro.
https://executivedigest.sapo.pt/das-tulipas-ao-subprime/
Está na altura de parar de jogar este jogo, pois os custos sociais são elevados…Contração económica, desemprego, aumento do nível de pobreza, etc.

Em Prout é importante o conceito de desenvolvimento socioeconómico de regiões em primeiro lugar, antes de qualquer integração económica e monetária (ao contrário do que se fez com o Euro). Produzir com os recursos locais, geridos democraticamente, para as necessidades  dos habitantes. O custo da especulação deixa de existir, os recursos (incluindo os financeiros) estão amarrados à economia real. Nesse sentido o PRIP está a desenvolver um estudo de Block Level Planning para a região da Cova da Beira (Belmonte, Covilhã e Fundão), para identificar potencialidades, estrangulamentos económicos e apresentar soluções para o desenvolvimento específico desta região, de forma a sensibilizar os decisores políticos, outros agentes locais e todos os habitantes.

Ps – Há cerca de cem anos atrás a humanidade enfrentou uma pandemia e uma depressão económica profunda, com impactos persistentes durante os anos 30, culminando na devastadora II Guerra Mundial. Pelos vistos estamos a seguir o mesmo guião, com a agravante da crise ambiental…Esperemos que haja mais clarividência para não trilhamos os mesmos caminhos dolorosos…

Francisco Dinis

Maheshvara PachecoVamos parar o jogo da especulação financeira?
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