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Está escrito nas estrelas que não podemos alterar o sistema socioeconómico em que vivemos?

Com a crise económica associada ao Covid-19, a fragilidade das cadeias de distribuição do sistema económico global tornaram-se mais evidentes. No link seguinte podemos verificar que a reversão do processo de globalização já está em curso há alguns anos, e a crise com o vírus só vem acelerá-lo.

https://voxeu.org/article/pandemic-adds-momentum-deglobalisation-trend

Qualquer sistema socioeconómico tem um conjunto de ideias, instituições e interesses associados, que há que ter em consideração.

Para aprofundar a abordagem ao tema da globalização, favor de ver o seguinte artigo na revista Forbes de 2015, com os argumentos a favor e contra:

https://www.forbes.com/sites/mikecollins/2015/05/06/the-pros-and-cons-of-globalization/#3341bba5ccce

ideia “benigna” da teoria por detrás do processo de globalização apresenta a seguinte narrativa: “o comércio livre beneficia países ricos e pobres, elevando o nível de vida, com os consumidores na Europa e nos EUA a terem acesso a bens mais baratos, produzidos a milhares de quilómetros em países menos desenvolvidos, criando emprego e reduzindo a pobreza. Com menos barreiras comerciais, maior seria a expansão das multinacionais e os ganhos económicos, enquanto que a cooperação política internacional iria florescer”.

As instituições que implementam estas ideias são o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio. Aquando dos empréstimos a países, o FMI coloca como condição a redução de obstáculos ao comércio, como a redução de tarifas e um pacote de privatizações, por exemplo. Tudo em nome da boa governança.

https://www.imf.org/external/pubs/ft/exrp/govern/govindex.htm

No campo dos interesses, os detentores de capital (os beneficiários permanentes) defendem a globalização porque podem escolher os territórios onde podem realizar os seus “investimentos” com as melhores condições, passando por reduções de impostos ou subsídios por parte dos governos, salários mais baixos, regulamentação ambiental menos exigente ou inexistente. A acumulação de poder económico permite influenciar o sistema político, pautar a discussão no mundo académico, nos media, etc.

Uma análise profunda ao processo histórico de expansão económico, tentando encontrar razões para a existência de nações ricas e outras pobres, pode ser vista em:

(os com menos interesse académico podem ver a partir do minuto 4)

Existem caminhos diferentes a seguir? Com uma economia pensada e estruturada para todos e dentro dos limites do sistema ecológico da Terra? Claro que sim…

Para desenhar e planear um sistema económico diferente, não podemos recorrer a escalas muito grandes, com conceitos abstractos. Por outro lado criar um sistema no nosso “quintal” não terá também muito impacto no mundo real. O planeamento mais viável está na escala das BioRegiões.

Para explorar o conceito de Bioregião e a sua praticidade favor ver:

Em Prout existe o conceito de unidade socioeconómica, ou Samaj em Sânscrito, que é a materialização de um esforço colectivo em criar uma comunidade local forte e resiliente, construída em fortes sentimentos de solidariedade e de identidade própria. Semelhante às Bioregiões, o seu propósito é facilitar um desenvolvimento colaborativo, em direção a uma economia descentralizada, onde estas unidades são economicamente independentes e resilientes. Claro que continuam a ser guiadas por orientações e legislação nacional ou federal, mas devem ter os seus próprios planos de desenvolvimento económico.

Com o objectivo de alcançar a máxima utilização dos recursos locais, a edificação destas unidades permitirão que o comércio entre elas seja mais equilibrado e com benefícios mútuos para os intervenientes.

Boas leituras, excelente visão, inspiração e ação

Francisco Dinis

Maheshvara PachecoEstá escrito nas estrelas que não podemos alterar o sistema socioeconómico em que vivemos?
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Mas Afinal, As Casas Servem Para Quê?

As casas servem para quê?

A resposta óbvia seria para servir de moradia para as famílias. Mas no sistema capitalista não é bem assim…

Primeiro vamos relembrar um artigo da Constituição Portuguesa sobre a habitação.

Artigo 65.º

Habitação e urbanismo

1. Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar.

2. Para assegurar o direito à habitação, incumbe ao Estado:

a) Programar e executar uma política de habitação inserida em planos de ordenamento geral do território e apoiada em planos de urbanização que garantam a existência de uma rede adequada de transportes e de equipamento social;

b) Promover, em colaboração com as regiões autónomas e com as autarquias locais, a construção de habitações económicas e sociais;

c) Estimular a construção privada, com subordinação ao interesse geral, e o acesso à habitação própria ou arrendada;

d) Incentivar e apoiar as iniciativas das comunidades locais e das populações, tendentes a resolver os respectivos problemas habitacionais e a fomentar a criação de cooperativas de habitação e a autoconstrução.

3. O Estado adotará uma política tendente a estabelecer um sistema de renda compatível com o rendimento familiar e de acesso à habitação própria.

4. O Estado, as regiões autónomas e as autarquias locais definem as regras de ocupação, uso e transformação dos solos urbanos, designadamente através de instrumentos de planeamento, no quadro das leis respeitantes ao ordenamento do território e ao urbanismo, e procedem às expropriações dos solos que se revelem necessárias à satisfação de fins de utilidade pública urbanística.

5. É garantida a participação dos interessados na elaboração dos instrumentos de planeamento urbanístico e de quaisquer outros instrumentos de planeamento físico do território.

Fim de citação.

A realidade em Portugal a partir de 2012 no sector da habitação nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto nada tem a haver com o que está escrito na Constituição.

Porquê desta situação? Ver video com o Prof João Rodrigues da Universidade de Coimbra, com a descrição do que aconteceu em Portugal com a privatização e desregulação financeira do sector bancário, dando entrada no país do crédito barato (aquando da decisão da criação da moeda única nos anos 90).

O debate da dívida portuguesa está muito centrado da dívida pública. Mas quando adicionamos o valor da dívida privada ficamos com a noção real da vulnerabilidade da economia portuguesa. No gráfico podemos acompanhar a evolução da dívida da economia desde dos anos 80, e verificar que determinadas decisões políticas tiveram um impacto enorme na economia, com consequência na realidade social nacional atual.

Gráfico 1. Dívida externa bruta de Portugal, total e pública, em percentagem do produto interno. Fonte: Banco de Portugal.

Para mais info ver um artigo do Prof. João César das Neves:

https://clsbe.lisboa.ucp.pt/pt-pt/divida-externa-bruta-e-liquida

“Em 1992, data em que assinamos o Tratado de Maastricht e entrámos no caminho para o euro, a nossa dívida externa bruta era 28% do nosso produto, pouco mais de um quarto do que produzimos, 8% em termos líquidos. Quando entrámos na moeda única em 1999 a dívida bruta já ia em 122% do produto e a líquida em 32%; no pico da crise elas eram 260% e 124% respectivamente; hoje, após anos de recuperação, a bruta está em 215%, bastante mais do dobro do que produzimos, e líquida iguala o nosso produto, 104%”.

Houve um boom da expansão de crédito nos anos 90, com as taxas de juro baixas, que foi aproveitado/canalizado para o sector da habitação, gerando o desenvolvimento do sector da construção. Contudo a economia portuguesa a partir do ano 2000 começa a “patinar”, entrando em estagnação, antes da crise financeira de 2008. Aquando desta, as famílias e os bancos portugueses estavam com níveis elevados de dívida, sendo o Estado chamado a socializar os prejuízos do sector bancário, para evitar o colapso financeiro.

A partir de 2012 voltamos à carga, agora com a construção vinculada a um serviço de exportação, o turismo, com regimes legais de captação de capital de estrangeiros, como os famosos Vistos Gold, onde em troca de investimento (com grande parte no sector imobiliário) é obtida um visto de residência, com acesso ao espaço europeu.

Consequências para quem arrenda em Lisboa e Porto? Preços exorbitantes da habitação obriga as pessoas a sair dos centros urbanos. Resultado uma disparidade entre os salários praticados em Portugal e o preço das moradias.

No PRIP estamos a observar as estatísticas da evolução do PIB nacional  e nota-se claramente que o chamado milagre económico português, depois da crise de 2010 a 2012,  assentou no desenvolvimento do sector do turismo e da construção.  Privilegiar um sector muito volátil, como o do lazer, é muito arriscado a longo prazo para qualquer economia. Perante uma pandemia, onde a circulação de pessoas é limitada, a actividade económica é muito afectada.

Prout, tal como a Constituição Portuguesa, advoga que a habitação é um direito e que a sociedade deve encontrar soluções para todos, através de um balanço entre rendimentos e preços. Para que haja uma existência digna para todos, os bens essenciais deveriam ser geridos de forma democrática, pelas comunidades.

Exemplo de soluções comunitárias para a habitação ver:

https://www.bloomberg.com/news/articles/2019-04-29/alternative-homeownership-land-trusts-and-co-ops

Só uma filosofia que entende o ser humano na sua multidimensão (como Prout), que não o reduza a uma mera entidade física do mundo material, pode assegurar que o caminho seguido até aqui pela financeirização capitalista não nos serve, pois cria mais problemas do que resolve a longo prazo. Por isso há que terminar este caminho já e substituí-lo por outro que nos traga mais felicidade…

Francisco Dinis

Maheshvara PachecoMas Afinal, As Casas Servem Para Quê?
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Não é com pós prilimpimpim que mudamos sistemas!

Como sabemos que temos uma crise sistémica? E como construímos o próximo sistema?

Este vídeo de Gar Alperovitz, historiador e economista político, tenta responder a estas questões:
https://www.youtube.com/watch?v=QT83nyB2Gaw&list=PLQ4lLGWj85FgD49LwvlxN3Sjy_MbLepg8

Em resposta à primeira pergunta, Gar afirma que sabemos que estamos perante um problema dessa natureza quando o sistema apresenta indicadores de decadência, com os modelos e as estratégias utilizadas no passado a já não inverterem o sentido de declínio.

Para o autor, o sistema capitalista está em decadência há muitos anos, mas ainda não entrou em colapso porque o dinheiro do governo está permanentemente a ser injetado na economia. A crise não é política, as reformas já não resultam, é sistémica, por isso há que mudar o sistema.
Quais os indicadores que revelam a estagnação e o declínio do sistema capitalista?
Roar Bjonnes, no seu livro Growing a New Economy, fala das diferentes crises inerentes ao sistema actual:  a crise da desigualdade da distribuição da riqueza, a crise financeira (nunca se criou tanto dinheiro e tanta dívida), a ambiental e a crise de recursos que ameaçam a extinção da civilização humana ou mesmo da espécie. Um conjunto de indicadores nestes campos revelam que as soluções propostas pelo sistema actual já não conseguem resolver…

Como acontecem os processos de transformação de sistemas?
Esse processos levam décadas. Quando os políticos deixam de ter capacidade de resolver os problemas, porque seguem teorias e modus operandi desajustados, surge uma polarização na sociedade (que pode gerar violência), e o sentimento colectivo de que algo está errado no sistema começa a ser sentido de forma premente.

Este é o primeiro passo para o início de um movimento de mudança social e económico. Aqui, começa a existir a sensação que não está além da capacidade humana pensar e desenhar um sistema diferente. Há que ganhar consciência da mudança, estudar, pensar, descrever a situação social vivida com uma narrativa diferente da anterior. Tudo isto gera um debate entre intelectuais e activistas.

Este debate aos poucos vai dando origem a um puzzle mental sobre como será o próximo sistema, por exemplo:
a) Alguns estarão focados no problema da concentração excessiva da riqueza, e começam a explorar a ideia de deixar de haver uma separação entre proprietários e trabalhadores, tornando-se os trabalhadores proprietários do seu local de trabalho, criando um sistema de democracia económica, onde a riqueza criada é gerida coletivamente. Outra solução seria taxar os super ricos, etc.

b) Outros seguirão o caminho de valores e de uma cultura ambiental, criando modelos e soluções mais harmoniosas com a natureza e os seus recursos.
c) As ideias de socialismo serão também exploradas, como a proposta de nacionalização de empresas estratégicas, pois é difícil controlar as corporações com legislação e as empresas capitalistas privilegiam a maximização dos lucros (a questão não é ter lucro, é sim maximizar) em detrimento de outros aspectos, com consequências ambientais e sociais devastadoras. Reduzir o sector privado torna-se importante.

d) Esta pesquisa passará também pelo aspecto cultural. Como nos relacionamos com os outros, como criamos comunidades fortes? Que estruturas económicas podem sustentar estas comunidades?
Como foi dito, todas as mudanças sistémicas requerem tempo: Criação de novas ideias e de nova cultura, realização de experiências a partir destas e o aparecimento de um movimento social exigindo a substituição do sistema vigente.
Para Gar Alperovitz, os heróis do movimento dos direitos cívicos nos EUA (muito visível nos anos 60) são os pensadores e ativistas dos anos 20 e 30, que criaram as condições para as mudanças sistémicas nos estados do sul do país, onde o sistema regulado por leis de segregação racial parecia indestrutível. Este exemplo ilustra o longo tempo necessário para ocorrerem mudanças sistémicas.
Como podemos evoluir, e transcender esta crise sistémica do capitalismo? Estes períodos de instabilidade e violência? Como podemos fazê-lo sem recorrer a uma revolução violenta contra as estruturas/instituições do sistema.
Reconstrução Evolucionária – Disseminação de projectos experimentais enquadrados no novo sistema, como as instituições da democracia económica, com um poder local forte, capazes de mudar a estrutura económica. Havendo depois a necessidade de estes projectos experimentais se tornarem na nova matriz sistémica, ganhando escala, com o foco a nível regional.
E finalmente não é suficiente as ideias novas, as mudanças de narrativa, os novos modelos teóricos e as suas experiências, pois nada disto acontecerá se nós, os indivíduos, não assumirmos que o problema de mudança de sistema também é nosso, algo pessoal: Eu assumo responsabilidade em ser parte da solução.
Inspiração para pensamento e ação transformadores…

Francisco Dinis

Maheshvara PachecoNão é com pós prilimpimpim que mudamos sistemas!
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Vamos parar o jogo da especulação financeira?

Envio o link do podcast com o economista Ricardo Paes Mamede, sobre as causas e as consequências da crise de 1929, nas esferas económicas, políticas e sociais, comparando com a situação actual.

https://www.esquerda.net/audio/grande-depressao-de-1929
Nada como observar e estudar factos do passado e tentar compreendê-los, para ajudar a tomar decisões racionais (racionalidade no contexto neo humanista) para os desafios actuais.

O que se aprendeu  do ponto vista económico com a crise de 1929?
A necessidade de controlar o sistema financeiro, porque se não o dinheiro servirá para especulação financeira. Assim, as pessoas compram coisas na esperança de as vender por um preço mais alto e ficar com os lucros, sem adicionar valor à economia real. Como é exemplo o sector imobiliário, onde o preço das casas sobem porque há “investidores”, tornando-se um bem não acessível à maioria das famílias (exemplo centro histórico das grandes cidades portuguesas).

Como no Imobiliário, o dinheiro é usado para todo tipo de especulação, ações na bolsa de valores, compra de dívida soberana, mercado de futuros de mercadorias, etc, A história acaba sempre da mesma forma, as bolhas rebentam e os chamados “activos desvalorizam”…Quem adquiriu em último lugar esse bem, perde dinheiro.
https://executivedigest.sapo.pt/das-tulipas-ao-subprime/
Está na altura de parar de jogar este jogo, pois os custos sociais são elevados…Contração económica, desemprego, aumento do nível de pobreza, etc.

Em Prout é importante o conceito de desenvolvimento socioeconómico de regiões em primeiro lugar, antes de qualquer integração económica e monetária (ao contrário do que se fez com o Euro). Produzir com os recursos locais, geridos democraticamente, para as necessidades  dos habitantes. O custo da especulação deixa de existir, os recursos (incluindo os financeiros) estão amarrados à economia real. Nesse sentido o PRIP está a desenvolver um estudo de Block Level Planning para a região da Cova da Beira (Belmonte, Covilhã e Fundão), para identificar potencialidades, estrangulamentos económicos e apresentar soluções para o desenvolvimento específico desta região, de forma a sensibilizar os decisores políticos, outros agentes locais e todos os habitantes.

Ps – Há cerca de cem anos atrás a humanidade enfrentou uma pandemia e uma depressão económica profunda, com impactos persistentes durante os anos 30, culminando na devastadora II Guerra Mundial. Pelos vistos estamos a seguir o mesmo guião, com a agravante da crise ambiental…Esperemos que haja mais clarividência para não trilhamos os mesmos caminhos dolorosos…

Francisco Dinis

Maheshvara PachecoVamos parar o jogo da especulação financeira?
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Usando o poder colectivo para quê?

Um vídeo do Dr Richard Wolf, sobre três formas de socialismo:

1. Socialismo Democrático – O socialismo democrático usa o Estado, um conjunto de leis e de regulamentos, procurando evitar os excessos do sistema capitalista, protegendo os  trabalhadores, o ambiente, as comunidades, etc. A maior parte dos países da europa ocidental tem ou teve partidos políticos defensores deste sistema nos seus governos.

2. Comunismo – Onde o Estado interfere diretamente no sistema económico. Caso da Antiga União Soviética e da actual República Popular da China.

3. Socialização no local de trabalho – Fica um video explanatório

Outra forma de socialismo é a que assistimos na última década, onde o Estado é usado para salvar financeiramente grandes entidades privadas (por exemplo Bancos). É o socialismo para os super ricos não sendo assim um socialismo ideológico mas de conveniência pura.

As grandes empresas privadas estão focadas na maximização de lucros a curto prazo, que beneficiarão um pequeno número de acionistas.
Ao contrário, é expectável que nas empresas onde os trabalhadores têm voz outras prioridades surjam: Emprego estável de longa duração, boas condições de trabalho, cuidado com o meio ambiente onde vivem e com a comunidade envolvente.
Prout advoga um sistema cooperativo para bens essenciais e/ou quando a empresa atinge uma determinada dimensão.

Deixo estatísticas sobre o movimento Cooperativo a nível mundial…

https://www.un.org/esa/socdev/documents/2014/coopsegm/grace.pdf

Na região da Beira Interior o PRIP está a realizar esforços para a criação de uma cooperativa no sector da agricultura biológica.

Francisco Dinis

Maheshvara PachecoUsando o poder colectivo para quê?
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A ONU alerta para o colapso global: Como o podemos prevenir?

Num relatório recente, a ONU alerta-nos com um aviso severo: o sistema capitalista global está à beira do colapso. São as implicações de um novo artigo científico preparado por um grupo de biofísicos finlandeses. Solicitou-se à equipa da Unidade de Pesquisa BIOS da Finlândia que fornecesse pesquisas que contribuíssem para a elaboração do Relatório Global de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (GSDR).

O documento da BIOS sugere que grande parte da volatilidade política e económica que vimos nos últimos anos tem como causa principal a crise ambiental global. “Vivemos numa era de turbulência e profundas mudanças nos fundamentos energéticos e materiais das economias. A era da energia barata está a chegar ao fim ”, escrevem os autores do artigo. “Enfrentamos uma forma de capitalismo que cristalizou o seu foco na maximização do lucro a curto prazo com pouco ou nenhum interesse aparente no bem social”.

Este relatório chega num momento importante para a humanidade, numa época em que os próprios fundamentos do nosso sistema económico são questionados. Mas qual é a razão pela qual o capitalismo nos levou à beira do colapso global? Mais importante, o que a ONU sugere como alternativa ao capitalismo?

As dádivas e os fracassos dos Verdes

Uma das principais dádivas do movimento ambientalista foi mostrar-nos algumas das falhas fundamentais do capitalismo. Por exemplo, que a verdadeira riqueza tem pouco a ver com lucro e mais com o bem-estar geral das pessoas. Os verdes também conseguiram apresentar uma nova visão macroeconómica em que a sustentabilidade é mais importante que o crescimento, onde o consumo para necessidades reais e não para o consumismo irracional orienta o planeamento económico e, mais importante, enfatizaram a necessidade de estabelecer limites ambientais e de recursos para a atividade económica .

O que os verdes ignoraram, no entanto, é o próprio fundamento do capitalismo e seu poder – o motivo de lucro sedutor e sinistro, o impulso de crescimento estruturalmente incorporado no capitalismo, que sempre superará todas as outras visões e necessidades, a menos que reestruturemos o cenário macroeconômico do próprio sistema. E como o movimento Verde ignorou essa questão, certamente foi ignorado pelos economistas tradicionais e pelos partidos políticos. É por essa mesma razão que estamos nessa situação terrível: à beira de um desastre global causado pelo homem.

Calcanhar de Aquiles do capitalismo: o motivo do lucro

“O aspecto mais importante do capitalismo, sua função e objectivo, é maximizar o lucro”, diz o economista Jaroslav Vanek, da Universidade de Cornell.1 Por esse motivo, as empresas capitalistas não gostam de regulamentações ambientais; eles não gostam de ser instruídos a adicionar custos ambientais à equação do lucro. Eles vão lutar contra essa possibilidade a cada passo. É por nenhuma outra razão que a lavagem ecológica – quando as empresas gastam mais dinheiro ou tempo anunciando que são ecológicas do que realmente sendo ecológicas – é tão comum. É também por isso que uma economia capitalista não regulamentada e uma economia democrática e sustentável são incompatíveis. E é por isso que o próprio fundamento do capitalismo – a motivação do lucro – também levará à sua queda. 

Hora de mudança de sistemas

Com esta iminente crise global no horizonte, temos duas opções: podemos, como fazemos hoje, conduzir mudanças incrementais através das escolhas dos consumidores e de legislação lenta. O resultado desse tipo de política lembra o Titanic; uma colisão com os icebergs e o afundamento do navio global.

A nossa única opção agora é fazer mudanças fundamentais; facilitar uma mudança democrática mas revolucionária na economia. O objetivo desta nova economia não seria maximizar o lucro, mas maximizar o bem-estar das pessoas e do meio ambiente através de uma melhor participação e planeamento.

Precisamos de reestruturar toda a economia, caso contrário a antiga visão económica continuará a ser o impulsinador da economia. Continuaremos a encarar a natureza como algo a usar livremente e um buraco onde podemos despejar o nosso lixo. Mas retórica à parte, qual é o principal problema da velha economia? É o tamanho e o objectivo do mercado capitalista, o objectivo de crescer e concentrar riqueza e comprometer as preocupações humanas e ambientais. Esta questão fundamental – de que é insuficiente simplesmente reformar o mercado capitalista – não foi abordada de maneira convincente nem pela esquerda nem pelos partidos verdes, nem pela esquerda nem pelo movimento ambiental em geral.

Além do capitalismo verde

É um eufemismo dizer que a nossa economia depende da natureza para sobreviver e crescer continuamente – a economia faz parte de um ecosistema composto por natureza e humanidade e só pode prosperar se a natureza e a humanidade prosperarem. Como seres humanos, prosperamos melhor quando vivemos em harmonia com a natureza e a cultura humana se manifesta em expressar sua reverência pela natureza. Mas se essas qualidades estão ausentes na sociedade, os humanos sofrem outra forma de pobreza – a pobreza espiritual. Com as políticas económicas e ambientais corretas, é possível criar uma economia que continua a existir e prosperar, tanto cultural quanto economicamente, co-evoluindo com a própria natureza, perpectuamente. Essa economia será descentralizada, reestruturada, democrática, culturalmente rica e circular. Aqui está, resumidamente, um conjunto de recomendações abrangentes que podem formar a base de uma economia verde mais democrática, equitativa e sustentável:

Sugestões de políticas para evitar o colapso global

Políticas

  • Trocar o objectivo de lucro pela democracia económica e a responsabilidade social e ambiental
  • Governos que incentivam o desenvolvimento de mercados industriais e agrícolas locais – isso também manterá a concorrência no mercado, mas de baixo para cima, que é uma chave importante para a democracia económica , para melhores salários, para um melhor ambiente local e global 
  • Criar um imposto global efetivo sobre o carbono para reduzir as emissões globais de CO2 – hoje os países individuais têm esses impostos, mas empresas fazem lobby para interrompê-los ou reduzi-los; isso não deve ser permitido. 
  • Repensar a economia dos combustíveis fósseis e invistir numa economia livre de combustíveis fósseis para o futuro
  • Avançar para tecnologias de emissão zero.
  • Aumentar a pesquisa e o desenvolvimento de produtos ecológicos
  • Adotar políticas económicas baseadas na ética e sustentabilidade, e não em lucro
  • Educar e promover o desenvolvimento da comunidade para conter o consumismo, promovendo melhores estilos de vida e fontes não materiais de felicidade. Estudos demonstraram que, uma vez que as pessoas têm um certo nível de vida, o aumento do consumo diminui a felicidade das pessoas.
  • Promulgar legislação de curto e longo prazo para tornar todas as práticas agrícolas orgânicas dentro de 10 a 20 anos
  • Reduzir subsídios à agricultura para que os preços reflitam o custo real e, assim, criar uma agricultura localizada com base nas necessidades reais do consumidor
  • Reduzir a produção de carne para sustentabilidade e saúde – a produção de carne, a menos que seja “free range”, é o método agrícola mais ambientalmente hostil, e seu consumo excessivo provou ser a principal causa de doenças cardíacas, cancro e diabetes
  • Educar a nível nacional sobre a importância de uma dieta mais baseada em vegetais, de acordo com a mais recente ciência em nutrição e saúde
  • Aumentar a produção, processamento de alimentos e distribuição de frutas, vegetais, ervas, óleos vegetais e grãos para obter a máxima soberania local, regional e nacional

A principal razão pela qual houve pouco progresso na implementação do tipo de políticas ambientais descritas acima não é porque não temos soluções, é simplesmente porque não há consenso global sobre qual é o problema – os resultados do capitalismo, direcionados  ao lucro são fundamentalmente incompatíveis com uma economia sustentável. Portanto, a fim de evitar danos irreparáveis ​​ao ecossistema, causados ​​pelo aquecimento global, e evitar instabilidade política e pobreza generalizada devido ao esgotamento de recursos, precisamos não apenas de mais reformas, mas também de mudanças nos sistemas económicos. Simplesmente não há outra alternativa.  

1 Jaroslav Vanek, entrevista publicada pela primeira vez no Prout Journal , depois republicada na New Renaissance Magazine , consulte: http://www.ru.org/51cooper.html   

Artigo cortesia de Prout Global.

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Neohumanismo

O Neohumanismo é uma visão integrante do mundo que defende a existência harmoniosa entre os seres humanos, a vida animal e vegetal, e todo o meio ambiente. Pode definir-se como uma ecologia espiritual baseada no respeito e na apreciação do valor existencial de todos os seres do Universo. Por norma, as filosofias baseadas na supremacia do Ser Humano tem uma visão utilitária dos restantes seres vivos e do meio ambiente. Muitas vezes, isto leva ao abuso e ao desequilíbrio do mundo natural, pois tendemos a reservar-nos o direito de por e dispor como bem entendemos de tudo o que consideramos “útil” para os nossos interesses egoístas, enquanto destruímos ou negligenciamos o que se torna “inútil” para os nossos objetivos. O Neohumanismo defende que tudo neste Universo tem um valor intrínseco pelo simples facto de existir.

P. R. Sarkar definiu o Neohumanismo como “a libertação do intelecto”. Ele argumenta que a nossa mente está normalmente limitada por sentimentos mesquinhos e egoístas. Desde pequenos que nos ensinam a criar barreiras que nos separam das pessoas que consideramos como diferentes de nós e do grupo ao qual pertencemos. Isto leva-nos a ter apego a uma determinada zona geográfica, limitada a um pequeno grupo racial, social, político ou ideológico, cultural, económico ou religioso. Assim, todos aqueles que não pertencem ao nosso grupo tornam-se “estranhos”, inimigos”; são “os outros”. Estes sentimentos podem levar à intolerância, ao fanatismo, aos dogmas, à violência, à exploração económica e social e à destruição mútua entre dois grupos. A exploração destrutiva e descontrolada de outros seres vivos e do meio ambiente também é um resultado do sentimento de superioridade que os seres humanos sentem em relação às outras espécies de animais e restantes seres vivos e recursos naturais.

Educação Neohumanista

Segundo P. R. Sarkar, uma educação apropriada é o melhor modo de desenvolver e expandir a mente Humana. Essa educação deve contemplar não só o conhecimento referente ao mundo físico, mas também deve ter em conta o desenvolvimento emocional e espiritual do aluno e ensiná-lo a manter uma relação harmoniosa com todos os seres vivos e objetos do planeta. A educação não deve apenas dotar a mente humana de conhecimento sobre as realidades do mundo físico (matemática, tecnologia, biologia, etc), ela deve estimular o desenvolvimento da personalidade e encorajar cada indivíduo a descobrir a sua unicidade e a desenvolvê-la ao máximo para o seu bem-estar e para poder contribuir para o bem-estar dos demais habitantes deste planeta. Em sânscrito diz-se: “Savidyayavimuktaye”: a educação é aquilo que nos liberta.

Citando P. R. Sarkar:

“O verdadeiro significado da educação compreende o desenvolvimento trilateral dos níveis físico, mental e espiritual. Este desenvolvimento deve melhorar a integração da personalidade humana (…) Educados são aqueles que aprenderam muito, que recordam muito e que utilizam esse conhecimento na sua vida prática.”

Com a ajuda deste tipo de educação, e fortalecendo a nossa capacidade de discernimento, torna-se possível crescermos além destes complexos que bloqueiam a nossa mente. Expandir a mente significa ir além de todas estas distinções artificiais que nos separam dos outros e nos fazem lutar em competição feroz. O Neohumanismo é um ideal universalista no sentido em que defende que o ser humano é apenas uma raça. A raça humana. Somos apenas uma sociedade, a sociedade humana. Um planeta, um povo. A verdadeira educação permite-nos libertar a mente e converter-nos em seres humanos responsáveis, benevolentes, universais e respeitadores do outro e de toda a vida neste planeta. Ao expandir o nosso círculo de compaixão de modo a abranger todo o planeta e tudo o que nele está contido, podemos criar uma consciência global capaz de criar uma sociedade sã, ética e progressista. Quando formos todos um só povo, como poderemos lutar? Como poderá um soldado ir à guerra matar um irmão da sua família universal? Como poderá um rico explorar um pobre se ambos se sentirem e conceberem como iguais em valor e direito?

Pedro Alves

Maheshvara PachecoNeohumanismo
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Economia planeada vs Economia de mercado

A Guerra Fria constituiu, em grosso modo, uma forma de mensurar o poder de dois ideais beligerantes que se disputavam pela supremacia no palco mundial. Como sabemos, acabou culminando no abrupto colapso do colosso comunista no início dos anos 90. A centralização, nomeadamente de empresas e propriedades, tornou-se numa máquina burocrática cara, ineficaz e corrupta que acabou por sufocar a economia, levando à revolta popular. Este grande evento marcou o tom do desenvolvimento económico mundial nas décadas seguintes.

Hoje, a hegemonia do sistema capitalista parece praticamente inquestionável. A China, num esforço para evitar o mesmo destino que a URSS, iniciou uma reforma económica em 1978, quando começou a descolectivizar a agricultura e abrir o país a investimentos estrangeiros. Com as suas zonas económicas especiais, a China hoje exibe um tipo de economia de mercado que passou a ser conhecida como “socialismo com características chinesas”. No entanto, mesmo tendo aparentemente alcançado um poder estratégico significativo, a China começa agora a pagar o custo do seu progresso económico. Os problemas inerentes ao progresso desregulado são evidenciados pela situação ambiental que o país enfrenta actualmente dos quais a poluição do ar, da água e solo, destruição de habitats e desertificação são apenas alguns. O New York Times reportou que o país queima 47% do carvão do mundo. A poluição do ar em Pequim tornou-se tão impenetrável que a estação de medição da qualidade do ar da embaixada dos EUA considera-a “fora de escala”. Mais da metade da água de superfície da China está tão poluída que não pode ser tratada para a tornar novamente potável. Apesar dos recentes avanços no que diz respeito ao reflorestamento e restauração de espaços verdes, o deserto continua a expandir todos os anos em cerca de 2.460 km2, de acordo com o World Wildlife Fund. A perda resultante de terras aráveis ​​criou uma geração de “eco-migrantes”, relata o Guardian, que são forçados a deixar as suas terras porque o seu estilo de vida agrícola tradicional já não é uma opção. Esta situação traduz-se, entre outras coisas, em níveis crescentes de importação de bens essenciais para atender às necessidades da população. Estas são as consequências indesejadas (e muitas vezes não reveladas) de um sistema em que o lucro é a prioridade das empresas e governos.

Enquanto no comunismo temos centralização económica através de indústrias estatais, no capitalismo temos o poder centralizado através de monopólios. É ingénuo pensar que o capitalismo neoliberal fornece uma solução democrática para a estrutura de mercado mundial. O capitalismo promove a anarquia da produção, onde a exploração de recursos e desenvolvimento tecnologias não está em congruência com as necessidades das pessoas. Recentemente, foi relatado que em Cristobal de las Casas, uma cidade no México, a escassez de água causada pelo acordo que a Coca Cola fez com o governo mexicano, visando captar mais de 1.100.000 litros de água por dia, força as pessoas a beber Coca Cola como alternativa à água. A população até chega a usar Coca Cola como moeda de troca e oferenda religiosa. Isso causou um aumento nas taxas de obesidade, desnutrição, hipertensão e diabetes. Esta situação até pode causar choque, mas está longe de ser um incidente isolado. Casos em que empresas multinacionais causam danos às pessoas e ao meio ambiente são comuns por todo o planeta.

“O capitalismo falhou” é uma frase frequentemente pronunciada nos dias de hoje. Activistas, movimentos populares, e intelectuais declaram como os fracassos do capitalismo são óbvios e flagrantes. Por outro lado, os pensadores mais conservadores lembram-nos dos fracassos da experiência comunista no leste, na tentativa de concluir que o capitalismo é o único sistema viável de administrar o sistema económico. PROUT oferece uma nova perspectiva. Considera que, a menos que tenhamos uma economia baseada na produção local, atendendo de forma sustentável às necessidades das pessoas, nunca seremos capazes de lutar contra as catástrofes ambientais e sociais que se avizinham.

PROUT é essencialmente uma economia de mercado. Acredita que a liberdade de iniciativa é uma das principais forças motrizes de um mercado dinâmico, o que contribui para uma abundância de produtos variados e de alta qualidade. No entanto, reconhecemos os perigos eminentes de um mercado impulsionado pelo interesse próprio e pela ganância. Por esse motivo, num sistema proutista, há um forte papel dado à regulamentação. Entendemos que cada comunidade conhece as suas necessidades, potenciais e fraquezas melhor do que um governo central. Por esse motivo, Prout promove a democracia económica: um sistema económico descentralizado, em que os meios de produção são devolvidos à população por meio da instauração de cooperativas, de propriedade dos trabalhadores, que forneceriam os meios para definir o plano para o desenvolvimento da região. A democracia económica é caracterizada pela ênfase na descentralização da economia, ao mesmo tempo em que fornece um forte elemento regulatório em todas as áreas em que há potencial de abuso (como o meio ambiente ou a segurança do produto), proporcionando, em última análise, o bem-estar da população. Numa democracia económica, uma situação como a de Cristobal de Las Casas não poderia acontecer.

De acordo com o PROUT, os recursos devem circular primeiro e principalmente dentro da comunidade local. Portanto, seria ilegal para empresas estrangeiras estabelecer uma base e explorar os recursos de uma região, transferindo os lucros obtidos para investidores de todo o mundo. Neste caso, a água na cidade mexicana deve ser usado para o desenvolvimento da região local. Aproveitando a energia cinética produzida pelas correntes de água dos rios, energia barata e limpa pode ser gerada. A abundância de água também poderia ser utilizada para modernizar a produção de têxteis que existe na região há séculos, elevando o padrão de vida de toda a população.

Miguel Pacheco

adminEconomia planeada vs Economia de mercado
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