Conferência “Uma Nova Visão para a Europa” – 2020

“Uma nova visão para a Europa” – dias 28 e 29 de Fevereiro, 2020

Em parceria com o Future Planet Europe, o PRIP co-organizou uma conferência na Universidade Nova de Lisboa, que procurou responder às seguintes questões.

Qual é o futuro da Europa?
O European Green Deal (Acordo Verde Europeu) é verde o suficiente?
Como criar uma economia mais cooperativa?
Como evitar com que a tecnologia controle as nossas vidas?
Podemos revitalizar a economia local na UE?
Como proteger melhor os interesses nacionais na UE?
Podemos confinar nas corporações para ajudarem a proteger as pessoas e o meio ambiente?

A experiência da União Europeia em economia de mercado e burocracia política está a acarretar um número crescente de desafios económicos, sociais e ambientais.

Assim, quais são as soluções? Como podemos criar um melhor acordo económico e ambiental para a Europa? Como podemos ajudar os mercados para que tanto as pessoas como o ambiente possam prosperar? Como podemos criar sociedades resilientes que possam reduzir tanto o desperdício como a desigualdade económica? Como podemos combater as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, aumentar o padrão de vida dos mais desfavorecidos?

Nesta conferência, alguns dos pensadores e ativistas mais visionários da atualidade compartilharam as suas ideias sobre como podemos – do local ao global – resolver alguns destes desafios e criar uma sociedade mais sustentável e equitativa.

Alguns dos oradores:

Erik S. Reinert
Economista, autor de How Rich Countries Got Rich and How Poor Countries Stay Poor (Como países ricos ficaram ricos e como países pobres continuam pobres)

Helena Nordberg-Hodge
Escritora, organizadora das Conferências da Economia da Felicidade

James Quilligan
Diretor Geral, Economic Democracy Advocates (Apoiantes da Democracia Económica)

Roar Bjonnes
Autor, Growing a New Economy

Paulo de Morais
Co-fundador da ONG Transparência e Integridade – Associação Cívica (TIAC)

Álvaro Fonseca
Coordenador da Rede para o Decrescimento

Gil Pessanha Penha-Lopes
Investigador, FCUL
Co-fundador, ECOLISE

Gabriel Leite Mota
Economista, Doutorado em Economia da Felicidade

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Planeamento Regional

Uma Nova Visão Para A Cova da Beira

É com o intuito de pensar num futuro novo para a àrea da Cova da Beira que o PRIP  se propôs a lançar esta iniciativa de estudo e planeamento. Baseado na teoria de utilização progressiva, procuramos encontrar acções progressivas e resilientes que sirvam como soluções práticas para os problemas sociais e económicos vividos pela população. A nossa visão de um Portugal próspero, justo e que primora pelo bem social, prende-se necessariamente com o desenvolvimento equilibrado de todas as regiões do nosso país. Desta forma, este estudo visa apresentar soluções concretas e práticas para uma destas regiões, uma das mais fustigadas pelas perenes crises do sistema actual.

Urge fomentar um clima de esperança para todos. O Covid-19 veio mostrar a fragilidade do nosso sistema económico baseado no comércio global. O capitalismo desenfreado vivido hoje nas sociedades de grande parte do planeta, cujo objectivo é alimentar o lucro de muito poucos já não serve à nossa sociedade. Baseado numa filosofia mercantilista, e resultante do pensamento de países imperialistas do século XVIII, o capitalismo surgiu em circunstâncias que não se aplicam actualmente. O século XXI precisa de novas ideias, de uma nova filosofia, de numa nova forma de reger a vivência económica da sociedade. Prout, com a sua aposta na democracia económica, economia tripartida e o desenvolvimento de bioregiões responde a muitas das fragilidades estruturais do capitalismo, oferecendo conceitos ousados que se propõem a proporcionar condições de vida dignas a todos os cidadãos.

Escolhemos a Cova da Beira, que abrange os concelhos da Covilhã, Fundão e Belmonte, para este estudo. É uma região empobrecida do interior do país, envelhecida, cujo rendimento médio mensal por habitante é bem inferior à média nacional (853 euros por habitante) e apresentando fracos índices de competitividade a nível nacional. Apresenta no entanto inúmeros recursos subaproveitados; com um dos mais elevados índices de qualidade ambiental (associadas às pressões exercidas sobre o meio ambiente e território) é delimitada por duas serras, que apresenta recursos de desenvolvimento único, com características geográficas e culturais suas.  Este facto permite-nos pensar em soluções de desenvolvimento autênticas à região, aproveitando as suas potencialidades, que porventura não se aplicam a outras regiões. Acreditamos na autodeterminação regional, na supremacia do povo, e na capacidade das suas gentes. Assim, este estudo aposta em criar um plano de desenvolvimento em cooperação com a população.

Durante este clima de instabilidade, é imperativo pensar em alternativas que nos permitam ser mais resilientes, que nos permitam criar sistemas que sirvam o cidadão. É com o interesse do cidadão em primeiro lugar que baseamos esta iniciativa. Durante este estudo, ofereceremos diversas oportunidades a todos os que quiserem fazer parte deste processo.

Objectivos:

O objectivo central deste projecto é criar um plano de desenvolvimento integral para a Cova da Beira, que utilize e potencie de forma progressiva os recursos autoctones à região, tanto humanos como naturais, e que permita desenvolver acções concretas para alimentar a ecónomia local e aumentar o nível e qualidade de vida da população. Um projecto ambicioso, mas necessário. Durante anos, o interior do país viu-se flagelado por políticas não-conducentes ao bem estar. Chegou a hora do povo traçar o seu próprio destino, agarrando as rédeas do que é seu e trilhando um futuro que afinal é seu por direito. Uma região resiliente e auto-determinada, proporcionando uma vida desafogada para todos, com suficientes oportunidades de emprego, e amplo espaço para desenvolvimento pessoal está nas mãos de todos, colectivamente. No esforço colaborativo e na coordenação jaz o segredo para um futuro sustentável e resiliente, justo e benevolente. O PRIP propõem-se a ser um catalizador para esse futuro.

 

Metodologia:

A nossa metodologia de trabalho é inspirada nos mesmos valores com que envisionamos a sociedade, cooperante, onde os cidadãos se juntam para debater e criar soluções para os seus problemas. Este estudo foca-se primariamente em ouvir a população, conhecer o que a aflige, o que a inspira, os seus recursos e talentos;  um processo imersivo que nos permitirá empatizar com os locais e gerar soluções baseadas nas suas vontades. Começaremos então o processo como estudantes e, sem pretensão de conhecimento, iremos simplesmente ouvir. Ouvir as pessoas, mas também as estatísticas, os especialistas, os governos, e as instituições locais que nos fornecerão uma percepção muito abrangente da realidade social, económica e política da Cova da Beira. De seguida, criaremos um plano de desenvolvimento económico e social para região. Em eventos organizados pelo PRIP, convidaremos a população e especialistas a participar em tertúlias e debates com a principal propósito gerar ideias para o futuro e ferramentas práticas para que esses projectos saltem do papel para a realidade. Envolver todos os membros da sociedade vai-nos permitir criar um projecto de todos para todos, verdadeiramente democrático, alicerçado nas necessidades e potencialidades reais da população. Elaboraremos um relatório com base nos resultados da investigação, um modelo de desenvolvimento para o futuro da região, com inciativas e propostas feitas à medida da região. Por fim, procuraremos mediatizar o estudo, torná-lo público e apresentá-lo aos vários orgãos de poder local e às instituições. Uma nova visão para a Cova da Beira.

Maheshvara PachecoPlaneamento Regional
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Encontros de Democracia Económica em Acção

Encontros de Democracia Económica em Acção

Regularmente convidamos todos aqueles interessados no desenvolvimento (social, económico, cultural…) da nossa região para uma nova edição dos EDEA – Encontros de Democracia Económica em Acção. Este ano investigaremos mais aprofundadamente o que significa Democracia Económica, trazendo exemplos práticos de projectos que evidenciam flagrantemente os benefícios de um modelo económico que prima pelo empoderamento das comunidades locais e dos seus habitantes, através de actividades sustentáveis.

É o nosso objectivo criar oportunidades de networking, agilizar a produção e disseminação de ideias, e promover novos projectos. Baseados nas ideias de Democracia Económica, contamos com todos os participantes para co-criarem um evento empolgante, inspirador, e que sirva de alavanca para que sonhos e ideias se começem a materializar.

Por uma região mais sustentável, desenvolvida e dinâmica.

Maheshvara PachecoEncontros de Democracia Económica em Acção
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Círculos de estudo

Círculos de estudo

O PRIP organiza regularmente círculos de estudo sobre Prout, um pouco por todo o país. Fazemo-lo, porque são uma óptima forma de desenvolver conhecimento sobre o nosso contexto sócio-económico, desenvolvendo competências multi-disciplinares essenciais para qualquer pessoa que deseje transformar positivamente a sua comunidade.

Baseados no manual “Tools to Change the World” (Ferramentas para Transformar o Mundo), os participantes têm a oportunidade de ganhar conhecimento sobre o nosso contexto social e, numa dinâmica de grupo, reflectir e debater diversos assuntos, tais como pobreza, o mercado de trabalho, o que constitui uma economia saudável, o que são direitos fundamentais, etc, promovendo assim o desenvolvimento de capacidades essenciais a qualquer activista.

Durante 10 sessões auto-organizadas, os participantes são empoderados com capacidades e conhecimentos necessários para que consigam mudar o mundo à sua volta, para melhor.

 

Actualmente temos círculos de estudo a decorrer em Lisboa, no Porto, na Covilhã e no Fundão.

Se queres participar num círculo de estudos (é completamente grátis) ou precisas de mais informações não hesites em contactar-nos em info@prip.pt

 

 

 

Maheshvara PachecoCírculos de estudo
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A ONU alerta para o colapso global: Como o podemos prevenir?

Num relatório recente, a ONU alerta-nos com um aviso severo: o sistema capitalista global está à beira do colapso. São as implicações de um novo artigo científico preparado por um grupo de biofísicos finlandeses. Solicitou-se à equipa da Unidade de Pesquisa BIOS da Finlândia que fornecesse pesquisas que contribuíssem para a elaboração do Relatório Global de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (GSDR).

O documento da BIOS sugere que grande parte da volatilidade política e económica que vimos nos últimos anos tem como causa principal a crise ambiental global. “Vivemos numa era de turbulência e profundas mudanças nos fundamentos energéticos e materiais das economias. A era da energia barata está a chegar ao fim ”, escrevem os autores do artigo. “Enfrentamos uma forma de capitalismo que cristalizou o seu foco na maximização do lucro a curto prazo com pouco ou nenhum interesse aparente no bem social”.

Este relatório chega num momento importante para a humanidade, numa época em que os próprios fundamentos do nosso sistema económico são questionados. Mas qual é a razão pela qual o capitalismo nos levou à beira do colapso global? Mais importante, o que a ONU sugere como alternativa ao capitalismo?

As dádivas e os fracassos dos Verdes

Uma das principais dádivas do movimento ambientalista foi mostrar-nos algumas das falhas fundamentais do capitalismo. Por exemplo, que a verdadeira riqueza tem pouco a ver com lucro e mais com o bem-estar geral das pessoas. Os verdes também conseguiram apresentar uma nova visão macroeconómica em que a sustentabilidade é mais importante que o crescimento, onde o consumo para necessidades reais e não para o consumismo irracional orienta o planeamento económico e, mais importante, enfatizaram a necessidade de estabelecer limites ambientais e de recursos para a atividade económica .

O que os verdes ignoraram, no entanto, é o próprio fundamento do capitalismo e seu poder – o motivo de lucro sedutor e sinistro, o impulso de crescimento estruturalmente incorporado no capitalismo, que sempre superará todas as outras visões e necessidades, a menos que reestruturemos o cenário macroeconômico do próprio sistema. E como o movimento Verde ignorou essa questão, certamente foi ignorado pelos economistas tradicionais e pelos partidos políticos. É por essa mesma razão que estamos nessa situação terrível: à beira de um desastre global causado pelo homem.

Calcanhar de Aquiles do capitalismo: o motivo do lucro

“O aspecto mais importante do capitalismo, sua função e objectivo, é maximizar o lucro”, diz o economista Jaroslav Vanek, da Universidade de Cornell.1 Por esse motivo, as empresas capitalistas não gostam de regulamentações ambientais; eles não gostam de ser instruídos a adicionar custos ambientais à equação do lucro. Eles vão lutar contra essa possibilidade a cada passo. É por nenhuma outra razão que a lavagem ecológica – quando as empresas gastam mais dinheiro ou tempo anunciando que são ecológicas do que realmente sendo ecológicas – é tão comum. É também por isso que uma economia capitalista não regulamentada e uma economia democrática e sustentável são incompatíveis. E é por isso que o próprio fundamento do capitalismo – a motivação do lucro – também levará à sua queda. 

Hora de mudança de sistemas

Com esta iminente crise global no horizonte, temos duas opções: podemos, como fazemos hoje, conduzir mudanças incrementais através das escolhas dos consumidores e de legislação lenta. O resultado desse tipo de política lembra o Titanic; uma colisão com os icebergs e o afundamento do navio global.

A nossa única opção agora é fazer mudanças fundamentais; facilitar uma mudança democrática mas revolucionária na economia. O objetivo desta nova economia não seria maximizar o lucro, mas maximizar o bem-estar das pessoas e do meio ambiente através de uma melhor participação e planeamento.

Precisamos de reestruturar toda a economia, caso contrário a antiga visão económica continuará a ser o impulsinador da economia. Continuaremos a encarar a natureza como algo a usar livremente e um buraco onde podemos despejar o nosso lixo. Mas retórica à parte, qual é o principal problema da velha economia? É o tamanho e o objectivo do mercado capitalista, o objectivo de crescer e concentrar riqueza e comprometer as preocupações humanas e ambientais. Esta questão fundamental – de que é insuficiente simplesmente reformar o mercado capitalista – não foi abordada de maneira convincente nem pela esquerda nem pelos partidos verdes, nem pela esquerda nem pelo movimento ambiental em geral.

Além do capitalismo verde

É um eufemismo dizer que a nossa economia depende da natureza para sobreviver e crescer continuamente – a economia faz parte de um ecosistema composto por natureza e humanidade e só pode prosperar se a natureza e a humanidade prosperarem. Como seres humanos, prosperamos melhor quando vivemos em harmonia com a natureza e a cultura humana se manifesta em expressar sua reverência pela natureza. Mas se essas qualidades estão ausentes na sociedade, os humanos sofrem outra forma de pobreza – a pobreza espiritual. Com as políticas económicas e ambientais corretas, é possível criar uma economia que continua a existir e prosperar, tanto cultural quanto economicamente, co-evoluindo com a própria natureza, perpectuamente. Essa economia será descentralizada, reestruturada, democrática, culturalmente rica e circular. Aqui está, resumidamente, um conjunto de recomendações abrangentes que podem formar a base de uma economia verde mais democrática, equitativa e sustentável:

Sugestões de políticas para evitar o colapso global

Políticas

  • Trocar o objectivo de lucro pela democracia económica e a responsabilidade social e ambiental
  • Governos que incentivam o desenvolvimento de mercados industriais e agrícolas locais – isso também manterá a concorrência no mercado, mas de baixo para cima, que é uma chave importante para a democracia económica , para melhores salários, para um melhor ambiente local e global 
  • Criar um imposto global efetivo sobre o carbono para reduzir as emissões globais de CO2 – hoje os países individuais têm esses impostos, mas empresas fazem lobby para interrompê-los ou reduzi-los; isso não deve ser permitido. 
  • Repensar a economia dos combustíveis fósseis e invistir numa economia livre de combustíveis fósseis para o futuro
  • Avançar para tecnologias de emissão zero.
  • Aumentar a pesquisa e o desenvolvimento de produtos ecológicos
  • Adotar políticas económicas baseadas na ética e sustentabilidade, e não em lucro
  • Educar e promover o desenvolvimento da comunidade para conter o consumismo, promovendo melhores estilos de vida e fontes não materiais de felicidade. Estudos demonstraram que, uma vez que as pessoas têm um certo nível de vida, o aumento do consumo diminui a felicidade das pessoas.
  • Promulgar legislação de curto e longo prazo para tornar todas as práticas agrícolas orgânicas dentro de 10 a 20 anos
  • Reduzir subsídios à agricultura para que os preços reflitam o custo real e, assim, criar uma agricultura localizada com base nas necessidades reais do consumidor
  • Reduzir a produção de carne para sustentabilidade e saúde – a produção de carne, a menos que seja “free range”, é o método agrícola mais ambientalmente hostil, e seu consumo excessivo provou ser a principal causa de doenças cardíacas, cancro e diabetes
  • Educar a nível nacional sobre a importância de uma dieta mais baseada em vegetais, de acordo com a mais recente ciência em nutrição e saúde
  • Aumentar a produção, processamento de alimentos e distribuição de frutas, vegetais, ervas, óleos vegetais e grãos para obter a máxima soberania local, regional e nacional

A principal razão pela qual houve pouco progresso na implementação do tipo de políticas ambientais descritas acima não é porque não temos soluções, é simplesmente porque não há consenso global sobre qual é o problema – os resultados do capitalismo, direcionados  ao lucro são fundamentalmente incompatíveis com uma economia sustentável. Portanto, a fim de evitar danos irreparáveis ​​ao ecossistema, causados ​​pelo aquecimento global, e evitar instabilidade política e pobreza generalizada devido ao esgotamento de recursos, precisamos não apenas de mais reformas, mas também de mudanças nos sistemas económicos. Simplesmente não há outra alternativa.  

1 Jaroslav Vanek, entrevista publicada pela primeira vez no Prout Journal , depois republicada na New Renaissance Magazine , consulte: http://www.ru.org/51cooper.html   

Artigo cortesia de Prout Global.

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Neohumanismo

O Neohumanismo é uma visão integrante do mundo que defende a existência harmoniosa entre os seres humanos, a vida animal e vegetal, e todo o meio ambiente. Pode definir-se como uma ecologia espiritual baseada no respeito e na apreciação do valor existencial de todos os seres do Universo. Por norma, as filosofias baseadas na supremacia do Ser Humano tem uma visão utilitária dos restantes seres vivos e do meio ambiente. Muitas vezes, isto leva ao abuso e ao desequilíbrio do mundo natural, pois tendemos a reservar-nos o direito de por e dispor como bem entendemos de tudo o que consideramos “útil” para os nossos interesses egoístas, enquanto destruímos ou negligenciamos o que se torna “inútil” para os nossos objetivos. O Neohumanismo defende que tudo neste Universo tem um valor intrínseco pelo simples facto de existir.

P. R. Sarkar definiu o Neohumanismo como “a libertação do intelecto”. Ele argumenta que a nossa mente está normalmente limitada por sentimentos mesquinhos e egoístas. Desde pequenos que nos ensinam a criar barreiras que nos separam das pessoas que consideramos como diferentes de nós e do grupo ao qual pertencemos. Isto leva-nos a ter apego a uma determinada zona geográfica, limitada a um pequeno grupo racial, social, político ou ideológico, cultural, económico ou religioso. Assim, todos aqueles que não pertencem ao nosso grupo tornam-se “estranhos”, inimigos”; são “os outros”. Estes sentimentos podem levar à intolerância, ao fanatismo, aos dogmas, à violência, à exploração económica e social e à destruição mútua entre dois grupos. A exploração destrutiva e descontrolada de outros seres vivos e do meio ambiente também é um resultado do sentimento de superioridade que os seres humanos sentem em relação às outras espécies de animais e restantes seres vivos e recursos naturais.

Educação Neohumanista

Segundo P. R. Sarkar, uma educação apropriada é o melhor modo de desenvolver e expandir a mente Humana. Essa educação deve contemplar não só o conhecimento referente ao mundo físico, mas também deve ter em conta o desenvolvimento emocional e espiritual do aluno e ensiná-lo a manter uma relação harmoniosa com todos os seres vivos e objetos do planeta. A educação não deve apenas dotar a mente humana de conhecimento sobre as realidades do mundo físico (matemática, tecnologia, biologia, etc), ela deve estimular o desenvolvimento da personalidade e encorajar cada indivíduo a descobrir a sua unicidade e a desenvolvê-la ao máximo para o seu bem-estar e para poder contribuir para o bem-estar dos demais habitantes deste planeta. Em sânscrito diz-se: “Savidyayavimuktaye”: a educação é aquilo que nos liberta.

Citando P. R. Sarkar:

“O verdadeiro significado da educação compreende o desenvolvimento trilateral dos níveis físico, mental e espiritual. Este desenvolvimento deve melhorar a integração da personalidade humana (…) Educados são aqueles que aprenderam muito, que recordam muito e que utilizam esse conhecimento na sua vida prática.”

Com a ajuda deste tipo de educação, e fortalecendo a nossa capacidade de discernimento, torna-se possível crescermos além destes complexos que bloqueiam a nossa mente. Expandir a mente significa ir além de todas estas distinções artificiais que nos separam dos outros e nos fazem lutar em competição feroz. O Neohumanismo é um ideal universalista no sentido em que defende que o ser humano é apenas uma raça. A raça humana. Somos apenas uma sociedade, a sociedade humana. Um planeta, um povo. A verdadeira educação permite-nos libertar a mente e converter-nos em seres humanos responsáveis, benevolentes, universais e respeitadores do outro e de toda a vida neste planeta. Ao expandir o nosso círculo de compaixão de modo a abranger todo o planeta e tudo o que nele está contido, podemos criar uma consciência global capaz de criar uma sociedade sã, ética e progressista. Quando formos todos um só povo, como poderemos lutar? Como poderá um soldado ir à guerra matar um irmão da sua família universal? Como poderá um rico explorar um pobre se ambos se sentirem e conceberem como iguais em valor e direito?

Pedro Alves

Maheshvara PachecoNeohumanismo
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Economia planeada vs Economia de mercado

A Guerra Fria constituiu, em grosso modo, uma forma de mensurar o poder de dois ideais beligerantes que se disputavam pela supremacia no palco mundial. Como sabemos, acabou culminando no abrupto colapso do colosso comunista no início dos anos 90. A centralização, nomeadamente de empresas e propriedades, tornou-se numa máquina burocrática cara, ineficaz e corrupta que acabou por sufocar a economia, levando à revolta popular. Este grande evento marcou o tom do desenvolvimento económico mundial nas décadas seguintes.

Hoje, a hegemonia do sistema capitalista parece praticamente inquestionável. A China, num esforço para evitar o mesmo destino que a URSS, iniciou uma reforma económica em 1978, quando começou a descolectivizar a agricultura e abrir o país a investimentos estrangeiros. Com as suas zonas económicas especiais, a China hoje exibe um tipo de economia de mercado que passou a ser conhecida como “socialismo com características chinesas”. No entanto, mesmo tendo aparentemente alcançado um poder estratégico significativo, a China começa agora a pagar o custo do seu progresso económico. Os problemas inerentes ao progresso desregulado são evidenciados pela situação ambiental que o país enfrenta actualmente dos quais a poluição do ar, da água e solo, destruição de habitats e desertificação são apenas alguns. O New York Times reportou que o país queima 47% do carvão do mundo. A poluição do ar em Pequim tornou-se tão impenetrável que a estação de medição da qualidade do ar da embaixada dos EUA considera-a “fora de escala”. Mais da metade da água de superfície da China está tão poluída que não pode ser tratada para a tornar novamente potável. Apesar dos recentes avanços no que diz respeito ao reflorestamento e restauração de espaços verdes, o deserto continua a expandir todos os anos em cerca de 2.460 km2, de acordo com o World Wildlife Fund. A perda resultante de terras aráveis ​​criou uma geração de “eco-migrantes”, relata o Guardian, que são forçados a deixar as suas terras porque o seu estilo de vida agrícola tradicional já não é uma opção. Esta situação traduz-se, entre outras coisas, em níveis crescentes de importação de bens essenciais para atender às necessidades da população. Estas são as consequências indesejadas (e muitas vezes não reveladas) de um sistema em que o lucro é a prioridade das empresas e governos.

Enquanto no comunismo temos centralização económica através de indústrias estatais, no capitalismo temos o poder centralizado através de monopólios. É ingénuo pensar que o capitalismo neoliberal fornece uma solução democrática para a estrutura de mercado mundial. O capitalismo promove a anarquia da produção, onde a exploração de recursos e desenvolvimento tecnologias não está em congruência com as necessidades das pessoas. Recentemente, foi relatado que em Cristobal de las Casas, uma cidade no México, a escassez de água causada pelo acordo que a Coca Cola fez com o governo mexicano, visando captar mais de 1.100.000 litros de água por dia, força as pessoas a beber Coca Cola como alternativa à água. A população até chega a usar Coca Cola como moeda de troca e oferenda religiosa. Isso causou um aumento nas taxas de obesidade, desnutrição, hipertensão e diabetes. Esta situação até pode causar choque, mas está longe de ser um incidente isolado. Casos em que empresas multinacionais causam danos às pessoas e ao meio ambiente são comuns por todo o planeta.

“O capitalismo falhou” é uma frase frequentemente pronunciada nos dias de hoje. Activistas, movimentos populares, e intelectuais declaram como os fracassos do capitalismo são óbvios e flagrantes. Por outro lado, os pensadores mais conservadores lembram-nos dos fracassos da experiência comunista no leste, na tentativa de concluir que o capitalismo é o único sistema viável de administrar o sistema económico. PROUT oferece uma nova perspectiva. Considera que, a menos que tenhamos uma economia baseada na produção local, atendendo de forma sustentável às necessidades das pessoas, nunca seremos capazes de lutar contra as catástrofes ambientais e sociais que se avizinham.

PROUT é essencialmente uma economia de mercado. Acredita que a liberdade de iniciativa é uma das principais forças motrizes de um mercado dinâmico, o que contribui para uma abundância de produtos variados e de alta qualidade. No entanto, reconhecemos os perigos eminentes de um mercado impulsionado pelo interesse próprio e pela ganância. Por esse motivo, num sistema proutista, há um forte papel dado à regulamentação. Entendemos que cada comunidade conhece as suas necessidades, potenciais e fraquezas melhor do que um governo central. Por esse motivo, Prout promove a democracia económica: um sistema económico descentralizado, em que os meios de produção são devolvidos à população por meio da instauração de cooperativas, de propriedade dos trabalhadores, que forneceriam os meios para definir o plano para o desenvolvimento da região. A democracia económica é caracterizada pela ênfase na descentralização da economia, ao mesmo tempo em que fornece um forte elemento regulatório em todas as áreas em que há potencial de abuso (como o meio ambiente ou a segurança do produto), proporcionando, em última análise, o bem-estar da população. Numa democracia económica, uma situação como a de Cristobal de Las Casas não poderia acontecer.

De acordo com o PROUT, os recursos devem circular primeiro e principalmente dentro da comunidade local. Portanto, seria ilegal para empresas estrangeiras estabelecer uma base e explorar os recursos de uma região, transferindo os lucros obtidos para investidores de todo o mundo. Neste caso, a água na cidade mexicana deve ser usado para o desenvolvimento da região local. Aproveitando a energia cinética produzida pelas correntes de água dos rios, energia barata e limpa pode ser gerada. A abundância de água também poderia ser utilizada para modernizar a produção de têxteis que existe na região há séculos, elevando o padrão de vida de toda a população.

Miguel Pacheco

adminEconomia planeada vs Economia de mercado
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